Estudos

GRUPO DE ESTUDOS DE PSICODRAMA

 

“Técnicas fundamentais do Psicodrama”

Dia: Sábados (quinzenalmente)

Horário: das 14 horass às 16 horass

Dirigido: Estudantes de Psicologia e interessados na teoria de Jacob Levy Moreno

Orientação: Psicóloga Alaídes T Zanoni

Início: 23 de  Março 2013

Mais informações: (41)8416.4419  ou e.mail: contato@focco.psc.br

 

O Psicodrama propõe à pesquisa da Verdade através da ação. Moreno desenvolveu seu trabalho fundamentado nas palavras de Goethe que afirmava que “no principio era a ação”. Com isso deu ênfase ao processo criador e quando usou a palavra drama a quis na sua tradução mais especifica: a ação cênica. Influenciado pelo teatro, buscava no teatro da espontaneidade, e depois no teatro terapêutico, a catarse, visando equilibrar fantasia e realidade em beneficio do crescimento emocional do individuo, o que se daria através da espontaneidade e criatividade dos papeis, aqui também no sentido de papeis dramáticos. O drama na psicoterapia psicodramática atinge situações concretas e metafóricas, ações reais e imaginarias cenas faladas e mudas, com o corpo sempre presente através da mimica, do som dos gestos ou de ambos.

O Psicodrama é um método ou são técnicas que visam facilitar o trabalho do psicoterapeuta?

Sabemos que método que dizer caminho. Caminho que a curiosidade humana percorre, indagando e correlacionando, pesquisando e refletindo, de maneira ordenada para atingir o conhecimento. É o caminho natural da ciência. É o conjunto de procedimentos teóricos que ordenam o pensamento e estabelecem o objetivo do trabalho a ser executado e inspiram animo ao investigador. O método precisa das técnicas para atingir seus objetivos.

As técnicas são procedimentos práticos que instrumentalizam o método, tornando-o possível na execução de seu objetivo final. Toda técnica tem que ter uma teoria que a embase e a explicite.

O Psicodrama pode ser estudado como método e como técnica. Como método, o Psicodrama tem um conjunto de elementos teóricos fundamentados empiricamente, numa primeira fase, pela vivencia e criatividade de Moreno e numa segunda fase, como conceito das propostas e posturas de fenomenologia e das filosofias da existência.

Moreno pretendeu que cada sessão psicodramática fosse uma experiência existencial e pudesse oferecer informação valida para uma solida teoria existencial. Através do seu discurso nos é dado entender e ver ampliados os conceitos fundamentais do Método Fenomenológico-Existencial tais como Ser, Temporalidade, Espaço, Encontro, Existência, Percepção, Vivencias, Imaginário e Liberdade.

 

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O GENIAL JACOB

O mito que cerca a data e o local do nascimento de Jacob Levy Moreno já é um mistério. Dia 20 de Maio de 1892, num navio não identificado, no Mar Negro…

“Nasci numa noite tempestuosa, num navio que singrava o Mar Negro, do Bósforo a Constanta, na Romênia. Foi madrugada do Santo Sabath e o parto teve lugar logo antes da oração inicial. O fato de ter nascido num navio foi devido a um honroso erro, sendo que a desculpa foi que minha mãe tinha apenas dezesseis anos e pouca experiência matemática da gravidez. Ninguém sabia a bandeira do navio. Seria um navio grego, turco, romeno ou espanhol? O anonimato do navio deu inicio ao anonimato do meu nome e ao anonimato de minha cidadania. Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, em 1914, ninguém sabia se eu era turco, grego, romeno, italiano ou espanhol, porque eu não tinha certidão de nascimento. Quando ofereci meus serviços à monarquia austro-húngara, de inicio não me aceitaram porque eu não tinha comprovante de nacionalidade. Nasci como um cidadão do mundo, um marinheiro que se mudava de mar para mar, de país para país, destinado a desembarcar um dia no porto de Nova York” (Rene F Marineau, p.20, Autobiograpy, 1985:cap1:6)

 

Jacob Levy Moreno nasceu em 1889, na Romênia. Sua mãe, Pauline, teve-o com apenas 16 anos. Era uma mulher fervorosa, cheia de ideias e sonhos, grande contadora de histórias, versátil em idiomas. A ela cabia a transmissão das tradições judaicas no lar. Seu pai, Nissim, era sério e autoritário. Ausentava-se muito de casa e iniciou sem sucesso diversos negócios.
Aos seis anos de idade, Moreno se mudou com a família de Bucareste para Viena. Com o pai cada vez mais ausente, Jacob, o primogênito de seis filhos, acabou assumindo uma posição especial de autoridade. A família era tradicional e Moreno fez seu bar mitzvá em uma sinagoga sefaradita em Viena. Quando estava com quatorze anos de idade, em 1903, seu pai fez uma última tentativa de manter a família unida e de prover o seu sustento, mudando-se para Berlim.

Moreno descendia de uma família de judeus sefaraditas que da Espanha havia-se refugiado na Turquia. Otimismo e fervor religioso era parte da vida desses judeus e é dentro deste contexto que podemos entender o estilo pessoal de Moreno – expressivo, carismático e criativo – e sua busca por níveis cada vez mais altos de espontaneidade, amor e bondade.  Acreditava que para o homem ser amoroso e bom, precisava tentar imitar as qualidades de Deus, pois só Ele era bom. Sua inspiração provinha das tradições antigas da filosofia grega e do drama clássico como catarse, embora fosse um profundo estudioso de sociologia e psiquiatria.

Personalidade independente e megalomaníaca, ainda jovem fundou uma espécie de movimento espiritual, um teatro e uma revista próprios e, no ápice da carreira, possuía um hospital psiquiátrico, uma escola e uma editora.

O homem genial que foi mal compreendido por seus contemporâneos. Buscava resgatar a espontaneidade e a criatividade, sufocadas pelas instituições. Foi incansável na divulgação de suas ideias que, em sua opinião, eram revolucionárias, trazendo uma possibilidade de mudança na vida social de importância comparável às de Darwin, Marx e Freud, em suas respectivas áreas.

 

Aos cinco anos de idade mudou-se com a família para Viena e foi neste local que Moreno criava brincadeiras que refletiam suas crenças religiosas. A brincadeira preferida, realizada com frequência, era a de fazer o papel de Deus. Nessa brincadeira, em que ele e várias outras crianças jogavam ser deus e os anjos, Moreno estava sentado no “trono de deus” – uma cadeira em cima de caixotes empilhados sobre uma mesa – e um dos “anjos” solicitou-lhe que voasse. Ele tentou atender e, naturalmente, estatelou-se no chão e fraturou o braço direito.

Até 1920, Moreno teve uma intensa vida religiosa. Fez parte de um grupo que fundou a “Religião do Encontro” e a “Casa do Encontro”, uma comunidade cujo objetivo era dar abrigo aos recém- chegados a se estabelecerem no país. Todo o grupo adotara a política do anonimato. Neste período, ele ia aos jardins de Viena e criava jogos de improviso com as crianças, incentivando a espontaneidade e a criatividade. Participou no ano de 1914 juntamente com um médico ginecologista e um jornalista, de um trabalho com prostitutas vienenses através do qual, utilizando técnicas grupais, conscientizou-as de sua condição, o que proporcionou que organizassem uma espécie de sindicato. A partir dessa experiência, Moreno percebeu que “um indivíduo poderia vir a ser um agente terapêutico para o outro”, vislumbrando assim, as potencialidades de uma Psicoterapia de Grupo. Em 1917 forma-se em Medicina.

De 1917 até 1920 colaborou com a Daimon Magazine , importante revista existencialista e expressionista, na qual colaboravam também Martin Buber, Max Scheller, Jakob Wasserman, Kafka, entre outros.

Em 1920 publica “As Palavras do Pai”, considerado um dos mais fascinantes livros da obra moreniana, devido à filosofia que pregava, filosofia da co-criatividade e da co-responsabilidade. Nele estão contidos os principais conceitos da teoria de Moreno: realidade suplementar, espontaneidade, co-responsabilidade, e co-criação, e “Encontro” do Eu do Tu como base de encontros significativos.

Fundou, em 1921, o Teatro Vienense da Espontaneidade que tinha como proposta criar uma representação espontânea, sem texto pronto e decorado, com os atores criando no momento e assim relacionando-se com a plateia. A partir daí ele criou o “jornal vivo”, em que dramatizava as notícias do jornal diário junto com o grupo participante. Estas experiências constituíram a base de suas ideias do Psicodrama e do Sociodrama.

Em 1925 emigrou para os EUA. Dois anos depois fez a primeira apresentação do Psicodrama fora da Europa.

Por volta de 1936 é a data mais importante da vida de Moreno, do ponto de vista histórico. Foi concedido a ele o       certificado para abrir o Beacon Hill Sanatorium, rebatizado em 1951 de Moreno Sanatorium. Nas palavras de Moreno: “Ter meu próprio hospital foi uma espécie de libertação do sistema. Num outro nível, foi análogo à minha experiência mais antiga de representar Deus na idade de quatro anos. Naquela época, eu decidi me fazer de Deus e, na brincadeira, ocupei o mais alto posto. Tive a brilhante ideia de voltar às fantasias der minha infância. Naquele tempo, queria ensinar às crianças como se fazerem de Deus. Agora, eu quis começar com os adultos, aqueles mais doentes mentalmente, a fim de cura-los através do psicodrama. Ali eu era Deus usando o psicodrama como remédio cósmico”. (R. Marineau,p.143, Autobiography, 1985, p,46).

Nessa fase, o psicodrama começou a ter vida própria, com uso sistemático de egos auxiliares e um diretor orientando o protagonista. Beacon foi um paradigma para a psicoterapia, que usava o psicodrama como principal ferramenta, uma escola para a formação de psiquiatras, psicólogos, enfermeiras, trabalhadores sociais e educadores, que fariam um percurso completo para a aquisição da necessária capacitação em diagnóstico, métodos de tratamento, epistemologia e ética. O propósito era criar um ambiente que abarcasse de forma total a promoção da saúde mental individual e social.
Em 1967 o hospital foi fechado, mantendo-se Beacon somente nas funções de ensinar e publicar. À medida que Moreno reduzia sua capacidade para atender a demanda de compromissos, Zerka, sua mulher, foi assumindo a liderança, tornando-se uma figura consolidada no mundo da psicoterapia de grupo e do psicodrama. Beacon foi indubitavelmente um sucesso, cumprindo seu papel histórico.
No final de sua vida, teve o reconhecimento oficial de todo seu percurso, desde a Universidade em Viena onde recebeu um diploma honorário, passando por muitas homenagens e condecorações na Espanha e nos Estados Unidos.

 

Moreno morreu em Beacon, em 14 de maio de 1974, aos 85 anos de idade e pediu que em sua sepultura fossem gravadas as seguintes palavras:
“Aqui jaz aquele que abriu as portas da Psiquiatria à alegria”.

 

O ultimo projeto intelectual de Moreno foi escrever sua autobiografia. Depois da reunião internacional de psicodrama em Amsterdã, em 1971, iniciou seu projeto escrevendo principalmente fatos que ocorreram nos seus primeiros anos. O livro inacabado e não publicado está escrito no autentico estilo moreniano, uma historia para ser contada sob uma arvore num jardim, é uma colagem de estórias, pensamentos e anedotas, mas, sobretudo um testemunho da vida ativa e produtiva de Moreno.

 

“O homem deve tomar seu próprio destino e o universo em suas mãos, no âmbito da criatividade, como um criador. Não é suficiente que procure acercar-se da situação através do controle técnico – armas de defesa – nem pelo controle politico – governo do mundo. Deve encarar a si mesmo e a sociedade a que pertence no status nascendi, aprendendo a controlar o robô não quando já estiver posto à nossa disposição, mas antes que tenha sido criado. O futuro do mundo depende do contra armamento elaborado pela sociometria e sociatria”.

(The Future of Man’s Word, 1947)

 

Referencia: Marineau, René F – Jacob Levy Moreno, 1889-1974: pai do Psicodrama, da Sociometria e da Psicoterapia de Grupo – São Paulo: Ágora, 1992.

 

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O PSICODRAMA

O Psicodrama é uma forma de se mudar o mundo aqui-e-agora, através do emprego de regras fundamentais da imaginação e sem cair no abismo da ilusão, da alucinação ou do delírio. (J.L.Moreno, 1972).

Jacob Levy Moreno nasceu em Bucareste em 1889 e ganhou fama ao elaborar a ciência da sociometria, o método do psicodrama e o trabalho pioneiro em psicoterapia de grupo. Um dos seus objetivos na vida era livrar-se das conservas culturais e fazer o “homem espontâneo”. Para isso, precisava primeiro atuar o seu próprio ser espontâneo, para depois fazer sua revolução. Sentiu também que precisava ensinar como se livrar da incomoda rigidez do homem moderno. Para chegar a isso, se tornou ele próprio atorautor e pregador e desempenhou todos estes papéis antes de escrever sobre eles.

O Psicodrama é um método psicoterápico no qual os clientes são estimulados a continuar e a completar suas ações, através da dramatização, do role-playing e da auto apresentação dramática. No aqui-e-agora, são representadas varias cenas que retratam, por exemplo, lembranças de acontecimentos específicos do passado, situações vividas de maneira incompleta, conflitos íntimos, fantasias, sonhos, preparação para futuras situações de risco ou expressões improvisadas de estados mentais. A comunicação verbal e não verbal são utilizadas e as cenas que se apresentam tanto se aproximam de situações reais de vida como representam a externalização de processos mentais interiores. Quando necessário, os outros papéis podem ser desempenhados pelos demais membros do grupo ou por objetos inanimados. São empregadas técnicas como a inversão de papéis, o duplo, o espelho, a concretização, a maximização e o soliloquio. As fases de aquecimento, dramatização, compartilhar e encerrar faz parte do processo.

Drama é uma palavra grega e significa “ação”. Psicodrama pode ser definido como método que penetra a verdade da alma através da ação. A catarse é por isso uma “catarse de ação”. Zerka Moreno afirma: “Todos os que já participaram de um psicodrama ficam ao mesmo tempo fascinados e perplexos com o impacto do teatro espontâneo. Essa forma de teatro começa com um palco vazio, sem script sem atores profissionais e sem ensaios. Há apenas o protagonista com sua historia, a qual, por meio das exclusivas técnicas psicodramáticas, expande-se numa peça plena, seja ela uma tragédia, sátira ou comédia. O psicodrama causa um forte impacto psicológico sobre os protagonistas, os co-autores e o grupo presente. Não há audiência no psicodrama. Tudo se passa no palco, totalmente ás claras no aqui-e-agora, e jamais pode ser reproduzido”. (Z.Moreno,2001)

É um método de esclarecimento e ação. Nos papéis que desempenhamos na vida temos muito em comum com outras pessoas, mas somos também únicos. Ter a consciência dessa diferenciação, e saber quais as características do lugar único de uma pessoa neste mundo é vital. Um dos objetivos do psicodrama é descobrir aquilo que é único em você em relação ao mundo.

O mundo em que os homens nasceram contém muitas coisas, naturais e artificiais, vivas e mortas, passageiras e eternas, tendo, todas em comum o fato de que aparecem, e, portanto aí estão para ser vistas, ouvidas, tocadas, provadas e cheiradas, para ser percebidas pelas criaturas passiveis de sentir, dotadas de órgãos de sentidos apropriados. Nesse mundo em que entramos, surgindo do nada, e do qual desaparecemos no nada, Ser e Aparecer coincide.(Z.Moreno,1978)

 

Jacob Levy Moreno


” Mais importante do que a ciência é o seu resultado

Uma resposta provoca uma centena de perguntas

Mais importante do que a poesia é o seu resultado,

um poema invoca uma centena de atos heroicos.

Mais importante do que o reconhecimento é o seu resultado,

o resultado é dor e culpa

Mais importante do que a procriação é a criança.

mais importante do que a evolução da criação é a evolução do Criador.

Em lugar de passos imparativos, o imperador.

Em lugar de passos criativos, o criador.

Um encontro de dois: olhos, face a face.

E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos

e colocá-los-ei no lugar dos meus;

E arrancarei meus olhos

para colocá-los no lugar dos teus;

Então ver-te-ei com teus olhos

E tu ver-me-ás com os meus.

Assim, até a coisa comum serve o silencio

E nosso encontro permanece a meta sem cadeias;

O lugar indeterminado num tempo indeterminado,

A palavra indeterminada para o Homem indeterminado”.

( Traduzido de “Einladung zu einer Begegnung”, por Jacob Levy Moreno, p. 3, publicado em Viena, 1914)

Ser é algo que não tem fronteiras; não reconhece como limites o crescimento e a morte, os inclui. Se estende no tempo e no espaço e se centraliza nesta pessoa, neste momento e neste aqui. Ser e saber são inseparáveis. Ser no sentido corrente da palavra não requer o saber. Mas a recíproca é coisa absurda. Ser, nesse sentido, é precondição do saber. A partir do saber, nunca poderíamos alcançar o Ser. ( J.L.Moreno).

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O INÍCIO…


Médico psiquiatra nascido em Bucareste em 1889, realizou seus estudos em Viena, atingiu o sucesso profissional nos Estados Unidos e faleceu em 1974. Durante sua vida, interessou-se pelas formas de relacionamento humano que pudessem contribuir para a compreensão, a melhora ou o conforto de seus clientes, privilegiando o tratamento em grupo. Criou o Psicodrama em 1921, o Teatro da Espontaneidade, em 1923 e lançou conceitos de Psicoterapia de Grupo em 1931 e as bases da Sociometria, em 1932.

A base da filosofia de Moreno foi sempre a importância dada a cada indivíduo para se expressar através de seus recursos espontâneos e criativos, num mundo em que cada um é parte de um grupo ou de uma entidade social. Ele escreve em 1947: “ O homem deve tomar seu próprio destino e do universo em suas mãos, no âmbito da criatividade, como um criador. Não é suficiente que procure acercar-se da situação através do controle técnico – armas de defesa – nem pelo controle político – governo do mundo. Deve encarar a si mesmo e a sociedade a que pertence no status nascendi, aprendendo a controlar o robô não quando já tiver sido posto à nossa disposição, mas antes que tenha sido criado (criatocracia)… O futuro do mundo depende do contra-armamento elaborado pela sociometria e sociatria” ( The Future of Man’s Word, 1947 – Jacob Levy Moreno).

A ideia de que somos atores do improviso no próprio palco da vida é poderosa. É óbvio que muitos de nós não nos saímos muito bem, e precisamos de ajuda. A noção de que há outra forma de teatro, uma que nos respeitará mesmo quando falharmos, e nos ensinará a viver mais plena e criativamente, veio depois a ser o psicodrama, o drama da mente.

O que é o Psicodrama?

É uma forma de drama que libera as profundezas de nosso ser que sempre lá estiveram em nossa infância, mas não tinham canais adequados para sua realização. Moreno por vezes o descrevia como um “laboratório para aprender a viver”.

Lembre-se de que ninguém atua sozinho, somos co-atores aqui na Terra e é particularmente nisso que temos grandes dificuldades e obstáculos a superar. A forma como o fazemos determina se estamos em desarmonia ou em conformidade com os demais.

(Zerka T. Moreno – A realidade suplementar e a arte de curar).

 

 

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A Psicoterapia de Grupo e o indivíduo


Na psicoterapia de grupo, o grupo vem em primeiro lugar, e o indivíduo, logo em seguida. A ênfase é colocada no envolvimento e na capacidade de participar do grupo, em aspectos dos relacionamentos. Uma relação, por definição, envolve duas ou mais pessoas. A necessidade de pertencer é um traço humano universal. Os desenhos dos átomos sociais têm demonstrado que essa capacidade não significa necessariamente que a família biológica seja a primeira escolha, o que indica que a família é apenas um dos modos de formações grupais.

Moreno não colocava o indivíduo e o grupo em oposição. Sua preocupação primordial era a criação da tele entre os indivíduos de um grupo. Do ponto de vista moreniano, o grupo não tem consciente ou inconsciente próprio, como alguns analistas de grupo defendem. Um grupo consiste em seres humanos individuais e suas relações uns com os outros. Essas relações se constituem por atrações e rejeições mútuas, que se transformam na base da percepção e consciência grupais.

Ser membro de um grupo traz-nos problemas de ordem ética e de preocupação, assim como de consciência. A consciência, assim como a vergonha, nos coloca num estado de tensão e inclui a percepção do outro. Existe aí um aspecto de justiça, ou seja, um leva o outro em conta, assim como a si próprio. Portanto, ela é de caráter antiego, ela não serve aos interesses imediatos do ego. Isso implica restrições, que trabalham no sentido contrário da impulsividade e da aspereza instintivas, possibilitando o comportamento espontâneo. Sacrificamos o impulso em razão do amor pelo outro ou por algum ideal. Esse aspecto da justiça da consciência é muitíssimo importante. É a base para o amor ao outro e a si. Foi esse amor que nos livrou do comportamento bárbaro ou titânico, que nos torna humanos, com capacidade para refletir, respeitar fronteiras e criar formas.

A psicoterapia de grupo lida com indivíduos “no grupo”. Na qualidade de terapeutas de grupo, frequentemente observamos o dilema do indivíduo, na medida em que a forma pela qual deseja se relacionar com as pessoas nem sempre é o modo pelo qual suas palavras e ações são percebidas. Pode bem acontecer que um indivíduo tenha uma grande compreensão de suas próprias necessidades e desejos, e de como gostaria de levar a vida. Isso é bastante observado no introvertido, cujos desejos e necessidades podem não coincidir com os dos demais. O comportamento psicótico de pacientes psiquiátricos seria um exemplo de comportamento extremamente não-espontâneo, uma vez que eles não podem se dirigir de forma significativa ao seu meio.

No palco psicodramático, esses pacientes são encorajados a dar substância ao seu mundo e encenar sua forma de percebê-lo. Os membros do grupo podem então participar desse “mundo alucinatório” e, por meio dessa participação, isso se torna menos ameaçador para eles. Quando este estágio é alcançado no processo terapêutico, até mesmo a “salada verbal” do protagonista diminui. A relação do paciente com o grupo, e do grupo com o “mundo alucinatório”, é o agente terapêutico. Portanto, o psicodrama constrói pontes entre diferentes mundos, pessoas e religiões.

 

Este texto  está inserido no capítulo 14 do livro ” A realidade complementar e a arte de curar”, de Zerka T. Moreno ( Àgora,2001 – S.Paulo) e  permite refletir sobre as idéias e  métodos psicoterapêuticos de Jacob Levy Moreno e da a prática do psicodrama e da psicoterapia de grupo.

” Embora o psicodrama seja um método de ação, as palavras escritas também podem ser portadoras de uma alma, que os leitores vivenciarão à medida que lerem tais palavras”. (Z.Moreno)

 

 

 

Psicoterapia de Grupo

A Psicoterapia de Grupo é uma metodologia clínica consciente e desenvolvida sistematicamente. Empreende o tratamento de vários indivíduos dentro de um grupo. Consiste do tratamento dos problemas psíquicos e sociais dos membros do grupo, mas não trata de suas queixas causadas por perturbações mentais. Constitui um método baseado em pesquisas empíricas e a estrutura teórica é centrada no grupo, baseada na interação e no relacionamento interpessoal.

Algumas definições de Psicoterapia de Grupo:

  • É um método que trata conscientemente as relações interpessoais e os problemas psíquicos de vários indivíduos de um grupo dentro de um quadro cientifico empírico;
  • Um dos princípios fundamentais da Psicoterapia de Grupo é que cada individuo pode atuar como agente curativo para outro individuo, cada grupo como agente terapêutico para outro grupo;
  • É um método de psicoterapia que aspira ao melhor agrupamento terapêutico de seus membros. Ela facilita quando necessário, um reagrupamento desses membros, para fazer coincidir a constelação do grupo com os motivos e tendências espontâneas de cada um deles;
  • Não trata só do individuo isolado que se encontra no centro da atenção em virtude de dificuldades de adaptação e ajustamento, mas do grupo inteiro e de todos os indivíduos que estão em relação com ele;
  • “Um processo realmente terapêutico não pode ter como meta final menos do que toda a humanidade” (Moreno, 1934). Esta é a frase de abertura do “Who ShallSurvive?”. É a definição sociocrática, “o ponto de vista de uma sociologia médica que vê toda a sociedade humana como um verdadeiro paciente”. (Moreno, 1934)

Diferença entre Terapia de Grupo e Psicoterapia de Grupo:

O termo Terapia de Grupo é utilizado quando os efeitos terapêuticos são secundários, como subproduto das atividades primárias do grupo, sem o consentimento explícito dos membros ou serem tratados, e sem um plano cientifico. Neste sentido, a Terapia de Grupo pode ter lugar entre outras no curso de qualquer atividade grupal como por exemplo, numa escola, igreja ou qualquer outro ambiente social.

Já o termo Psicoterapia de Grupo é apenas utilizado quando a meta única e imediata é a saúde do grupo e de seus membros e quando essa meta é atingida através de métodos científicos, como a análise, diagnóstico e prognóstico.

 

Objetivos:

  • Favorecer a integração do individuo em face das forças incontroladas que a cercam; isso se atinge graças à exploração que o eu individual faz de seu ambiente imediato, por exemplo, através da análise sociométrica;
  • Favorecer a integração do grupo. Essa aproximação pelos dois lados, tanto do individuo como do grupo, facilita sua integração recíproca.
  • A regra fundamental é “interação livre e espontânea” entre os clientes e o psicoterapeuta e entre os psicoterapeutas.

 

Dinâmica

O conceito de Encontro está no centro da Psicoterapia de Grupo.

A palavra Encontro abrange diversas esferas da vida e significa estar junto, reunir-se, contato de dois corpos, ver e observar, tocar, sentir, participar, compreender, conhecer intuitivamente através do silencio ou do movimento, tornar-se um só. Significa que duas pessoas não apenas se reúnem, mas que elas se vivenciam se compreendem cada uma com o todo do seu ser.

Os participantes estão aí porque querem estar, por uma escolha voluntária. O reunir-se é despreparado, não experimentado, realiza-se sob a égide do instante. As pessoas encontram-se com todas as suas forças e fraquezas cheias de espontaneidade e o encontro vive no aqui e agora.

A coesão interna do grupo original é uma função da Tele. Os membros do grupo terapêutico são de início estranhos, mas o grupo desenvolve rapidamente numa estrutura dinâmica característica que pode ser descoberta com Testes Socimetricos e Teste de Papéis. É importante para o psicoterapeuta através de numerosos Testes Sociometricos e observações diretas simultâneas, que posição ocupa cada membro do grupo em relação aos outros.

Exemplos:

  • Quem tem sentimentos ambivalentes em relação ao terapeuta?
  • Quem é rejeitado?
  • Quem constrói pares?
  • Que membros são preferidos?
  • Quem permanece sempre isolado?
  • O psicoterapeuta é capaz de avaliar que membros do grupo se sentem amistosos ou hostis em relação a ele?
  • Quais são as figuras autoritárias?

Pesquisas sociométricas de pequenos grupos (a família, por exemplo), revelam que a situação do individuo modifica-se quando há uma alteração de conjunto na constelação do grupo. Cada grupo tem uma estrutura sociométrica (que é quase desconhecida dos membros do grupo). Ambas podem coincidir em certos pontos e divergir em outros,mas dificilmente serão idênticas. É a síntese da estrutura oficial do grupo original com a estrutura sociométrica que produz a realidade social. Os conflitos e tensões no grupo original ampliam-se em proporção direta com a diferença sociodinamica entre a estrutura oficial e sociometrica

Ação de Grupo e catarse

Há duas formas de catarse:

Catarse de grupo – todo grupo envolve-se nesta forma de catarse. Ela é conhecida como catarse de integração e resulta na interação cooperativa dos membros do grupo. Em oposição a ela ocorre a catarse individual por ab-reação alcançada por um individuo isolado e separação dos demais.

Catarse de ação – resulta da atuação espontânea de um ou de vários membros do grupo. Ela ocorre geralmente em grupos psicoterápicos, inclusive sob a forma de discussão, permanecendo mesmo aí não estruturado ao nível da ab-reação. Entretanto enquanto ocorre a representação psicodramática, ela estrutura-se espontaneamente e eleva-se o nível integrativo.

É importante para a determinação do tamanho do grupo a capacidade de contato emocional que um individuo pode atingir terapeuticamente. Introduzem-se membros no grupo de acordo com a capacidade que este tenha de absorver novos membros, sem diminuir sua produtividade terapêutica. A composição mais favorável é de grupo misto, que abranja os dois sexos, velhos e jovens, em resumo uma miniatura da sociedade em que o grupo vive.

Os membros do grupo têm todo o mesmo status uma vez que são de inicio todos clientes. No decurso do tratamento entram em estreita relação uns com outros. Esses contatos baseados na realidade são as relações de Tele. Tele é aquilo que mantém o grupo e faz surgir a coesão.

Bibliografia:

Moreno, J.L. Psicoterapia de Grupo e Psicodrama – Ed. Livro Pleno, Campinas-SP – 1999

 

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Psicodrama Pedagógico

 

 

O Psicodrama pode ser descrito como sendo um trabalho em grupo, desenvolvido num clima de jogo e espontaneidade que alcança sua maior expressão quando articulado no plano dramático ou teatral. ( Moreno, 1974)

Psicodrama Pedagógico é um método que possibilita a coordenação desses fatores porque a aprendizagem se dá através da ação e da interação. Ao aluno é permitido expressar o que sabe com o saber do grupo e, compartilhando com o grupo construir e reconstruir o conhecimento adquirido. Visa levar o aluno à reflexão, ao questionamento, ao entendimento dos conceitos transmitidos e permitir o desenvolvimento da espontaneidade. Diferencia-se do Psicodrama Terapêutico nos seus objetivos, pois é educação e não terapia, e pelo contato com os participantes, que são os alunos e não os clientes.

O Psicodrama Pedagógico não se aprofunda em problemas pessoais, não vai mexer o passado secreto e os conflitos de cada um. Não lida com patologias, pois o trabalho clínico é tarefa específica do Psicodrama Terapêutico. Por isso, o educador deve estar atento e vigilante para saber até que ponto pode permitir aos participantes prosseguirem em sua busca. Às vezes pode haver dificuldades em suportar o peso de um drama demasiado pessoal, muito íntimo, sem correr riscos. Na escola, o Psicodrama traz a realidade existencial do aluno para dentro da sala de aula e estabelece que todo e qualquer processo de aprendizagem deve ter como princípio orientador o ser humano representado pelo aluno.

Situações onde o Psicodrama Pedagógico pode ser aplicado:

* para compreender um conhecimento já adquirido mediante métodos tradicionais;

* melhor compreensão de um tema;

* repassar conhecimentos já esquecidos;

* treinamento da espontaneidade;

* melhoria das relações sociais;

* transmissão de novos conhecimentos.

Como método didático garante a aquisição do conhecimento em nível intuitivo e intelectual com participação do aluno e do grupo como unidade. Por esta razão as técnicas básicas do psicodrama como a inversão de papéis e o solilóquio puderam ser  adaptadas às metodologias escolares comuns. O conhecimento permanece igual. O que modificou foi a forma como foi compreendido, apreendido e integrado. As reuniões pedagógicas com os professores proporcionam uma melhor atuação e qualificação desses profissionais por meio do treino dos papéis e pela compreensão dos processos relacionais pela melhor percepção do outro em seus aspectos emocional, afetivo, relacional, intelectual, corporal e cognitivo.

A metodologia psicodramática é útil nas relações entre educadores e pais, espreitando as praticas educacionais e familiares resultando uma convivência mais produtiva. O psicodrama estimula a criatividade dos alunos. Com o desenvolvimento da espontaneidade, a personalidade do aluno é enriquecida proporcionando o surgimento das manifestações criativas. Por meio dos Jogos Psicodramáticos ou da aplicação do Teste Sociométrico, pode-se detectar as dificuldades de aprendizagem e assim contribuir com o trabalho do educador.

 

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” Como se…”

 

O psicodrama baseia-se no pressuposto de que as pessoas são atores que passam por vários palcos da vida. Da infância à velhice, cada aspecto da vida pode ser representado e as cenas tanto retratam eventos previsíveis de vida como suas crises inesperadas, os conflitos íntimos e os relacionamentos complicados. As representações são tão diferentes entre si, assim como a vida das pessoas que as apresentam.

A despeito das diferenças que existem entre as pessoas, “todos os psicodramas compartilham de um elemento único e comum, que lhes confere seu caráter terapêutico: a apresentação da verdade pessoas dentro dos limites do universo protegido do faz-de-conta como forma de enfrentar e dominar, de maneira criativa e adaptativa, os momentos estressantes da vida”. (Kellermann, 1992).

A imaginação é passível de ser desfrutada pela maioria das pessoas. As pessoas geralmente não encontram dificuldades em utilizá-la. Objetos inanimados podem ganhar vida e existe a possibilidade se relacionar com eles como se fossem reais.

Kellermann (p.124,1992) afirma: “O como se ocorre em toda atividade imaginativa, inclusive o drama, o sonho e o jogo. A capacidade de falar, pensar e sentir o como se se manifesta através da capacidade de operar em vários níveis hipotéticos”. E conclui: “Na declaração hipotética afirma-se algo irreal, falso ou fictício, mas ao mesmo tempo essa declaração é uma condição para se elaborar qualquer pressuposto sobre a realidade. Sem essa declaração hipotética não poderíamos descrever, personificar, imaginar ou representar a realidade exterior de forma simbólica”.

Os participantes de um psicodrama são encorajados a representarem situações do passado como se fosse real, embora todos saibam que não é. Nesse role-playing, representa-se o passado como se estivesse presente e a relacionar-se com objetos inanimados como se estes objetos fossem vivos. O próprio palco psicodramático é visto pelos atores como pela plateia como se fosse uma arena imaginaria dentro da qual quase tudo pode acontecer. Assim, no âmbito psicodramático do como se, as experiencias interiores podem ser externalizadas, os relacionamentos inter e intrapessoais abstratos, podem ser revelados.

O como se é essencial à característica que Moreno denominou espontaneidade dramática: “É essa qualidade que confere novidade e vida aos sentimentos, à atuação e à incontinência verbal, que nada são senão repetições daquilo que o individuo já experimentou milhares de vezes. Esta forma de espontaneidade possui aparentemente grande importância pratica, por energizar e unificar o self. Faz com que os atos desassociados e que parecem automáticos sejam vistos e sentidos como verdadeira auto-expressão e atuem como cosméticos da psique”. (Moreno, 1972, p.89).

A maior parte das técnicas psicodramáticas se baseia em algum elemento de atividade do tipo como se. Na técnica da inversão de papeis, por exemplo, João atua como se fosse José e José atua como se fosse João. Na técnica do duplo, José age como se ele fosse João, imitando todos os seus movimentos e estados de humor. Na técnica do espelho, João é apresentado como se estivesse diante de um espelho. Na técnica de solilóquio, João fala como se ninguém o estivesse escutando ou como se estivesse pensando alto.

O psicodrama auxilia o protagonista a dominar vicariamente os acontecimentos estressantes de sua vida, dentro do universo protegido do faz-de-conta. Os participantes são encorajados a abrirem mão de testar a realidade e a se retirarem, temporariamente, do mundo externo. De maneira paradoxal, esse procedimento contribui para que a pessoa tanto negue como afirme a realidade exterior.

Kellermann acredita que o como se fortalece o funcionamento do ego do cliente, sua capacidade de lidar com as pressões internas ou externas. O como se psicodramático não opera sobre a realidade da vida, mas, sim sobre a situação semirreal do jogo; é a chamada meta-realidade ou realidade complementar. “Suplementar, aqui, significa o que sobrou e diz respeito àquela parte da experiência que permanece dentro de nós, tendo o mundo externo recebido sua cota de atenção. Nesta esfera, a realidade psíquica é ampliada e se dá expressão às dimensões intangíveis, invisíveis da vida do protagonista”. (Moreno, 1969).

De acordo com Blatner:

O papel da realidade suplementar é mal compreendido em nossas vidas. A visão do homem como apenas estando no mundo, com um núcleo único de autenticidade, nega o fenômeno da imaginação. É nossa imaginação que conta para as dimensões auto-reflexivas de nossa consciência, para a capacidade de vermos a nós mesmos à distancia. A imaginação representa aquela dimensão de nossas vidas que é a nossa realidade suplementar. Somos reis e escravos, somos crianças novamente, existimos dez anos além, no futuro. (1973, p.124)

Segundo Kellermann (1992, p. 13), um trecho da peça As you like, de Shakespeare, contem em si a essência do psicodrama:

O mundo é um palco,

Todos os homens e mulheres são atores,

Eles têm suas próprias saídas e

entradas,

E cada um, a seu tempo,

desempenha vários papeis

e cada ato dura por sete eras.

 

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Espontaneidade

” A evolução consciente através do treino da espontaneidade abre novos horizontes para o desenvolvimento da raça humana”. ( Jacob Levy Moreno – Who Shall Survive?, 1934)

Espontaneidade ( do latim, sua sponte - significa “dentro de si” / ” em consequencia consigo próprio”) -  não deveria ser compreendida como comportamento impulsivo, muito pelo contrário. Moreno achava que os seres humanos são despreparados e mal equipados para enfrentar os momentos de surpresa, e isso porque a espontaneidade é bem menos respeitada do que a memória e a inteligência. Ele partia do princípio de que não aceitamos bem as mudanças. Existe um temor diante das coisas novas. Pode-se afirmar que o ego tem maior probabilidade de se apegar ao já conhecido.

Zerka Moreno (2000,p.38), diz que há duas maneiras opostas de se deparar com surpresas: “…uma é a ansiedade, a outra é a alegria. Algumas surpresas desafiam as pessoas de tal maneira que elas não sabem lidar com elas, e ficam inseguras”. E conclui:” é aí que a espontaneidade precisa entrar. deixar fluir a espontaneidade e a criatividade pode preencher aquele momento e reduzir a ansiedade”. A espontaneidade e a ansiedade são funções uma da outra. Quando a espontaneidade aumenta, a ansiedade fica rebaixada, e vice- versa.

Para Moreno, espontaneidade / criatividade era o ingrediente central no processo do psicodrama e do viver saudável. Ela a definia como uma nova resposta a uma antiga ou nova situação, e além disso chamava-a de “forma não conservável de energia”, embora não se deva tomar isso como definição e sim como indicação de alguns pontos importantes do fenômeno. A espontaneidade é uma disposição do sujeito para responder tal como é requerido. Logo, é uma condição, um condicionamento do sujeito: uma preparação do sujeito para uma ação livre, donde se conclui que não se pode alcançar a liberdade mediante um ato de vontade. “Ela surge gradualmente, como resultado da educação da espontaneidade”, afirma Moreno. Por meio da educação da espontaneidade, o sujeito se torna relativamente mais livre das conservas, sejam elas passadas ou futuras, do que era antes.

Um dos critérios diferenciadores da espontaneidade é a dita normal e a patológica. A espontaneidade normal, segundo Moreno, proporciona respostas adequadas em oposição à inadequação patológica que pode dar respostas inesperadas porém não acomodáveis à realidade. A diferenciação entre o normal e o patológico levanta um problema em se aceitar a destrutividade do patológico também como espontaneidade. Deve-se perceber que a vivencia espontânea individual não é positiva nem criadora neste caso, podendo levar inclusive a destruição do indivíduo, exatamente antagônica àcriatividade moreniana. Moreno conclui afirmando que ” a espontaneidade é essencialmente positiva e boa e que no final conduzirá a adequação à realidade”.

No pensamento de Moreno, espontaneidade é a expressão ativa de sua filosofia existencialista. É ser receptivo às realidades tal como elas se apresentam no momento presente, não obscurecidas por pressuposições na medida do possível. Embora a cada momento tenhamos expectativas e crenças, podemos mudar nossa atitude passando do dogma para a experimentação, para a prontidão com a finalidade de modificar e corrigir as nossas teorias nos adaptando às percepções atuais. Essa modificação irá catalisar nossa espontaneidade.

A maneira que nos relacionamos com nossos enganos é elemento-chave na espontaneidade. A idéia de continuar a improvisar como uma experiência que prossegue e, em vez de congelar, fazer de um engano uma “retomada” que mantém o foco na tarefa. A pessoa espontânea lida com a interferência recentralizando e reassumindo uma presença com a mente clara no aqui-e-agora.

” A espontaneidade não é apenas o processo dentro da pessoa, mas mantém o fluxo de sentimentos na direção do estado de espontaneidade de uma outra pessoa. Do contato entre dois estados de espontaneidade que, naturalmente estão centrados em duas pessoas diferentes, resulta uma situação interpessoal”. ( J.L.Moreno, 1934)

Fontes de referência:

* Moreno, J.L. – Psicodrama – ed. Cultrix Ltda, 1978 – São Paulo – SP

* Moreno, J.L. _ Who Shall Survive? – Dimensão Editora, 1953 – São Paulo – SP

* Moreno, Zerka – A realidade suplementar e a arte de curar – ed. Ágora, 2000 – São Paulo

* Garrido, E.M. – Psicologia do Encontro – ed. Ágora, 1978 – São Paulo – SP

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Vivências

Tempo, espaço e realidade marcam a nossa história de vida e determinam a maneira pela qual nos apresentamos para o mundo. Inúmeros desafios compõem o vasto repertório que levam a um crescimento pessoal provocando uma transformação que passa obrigatoriamente pela compreensão do equilíbrio, do processo existencial dos relacionamentos e das necessidades pessoais. Frustrações, desequilíbrios e falta de espontaneidade levam o homem a adoecer. Mas se estas forem enfrentadas de forma adequada podem ser transformadas em crescimento pessoal.

As vivencias têm como objetivo reunir pessoas com interesses comuns para viver a situação do grupo, compartilhar suas vitórias e derrotas, resgatar o senso de coletividade e atribuir novos significados às suas experiencias e relações.

Partimos do principio que o espaço para compartilhar a vivencia pessoal pode mostrar a possibilidade de se lidar com a espontaneidade e criatividade, de perceber como o outro se sente diante do estresse, ansiedade e angustia, buscando sempre apontar novos caminhos.

Propomos o trabalho em grupo como um modo de iniciar um processo de transformação, mudança e reequilibrio e que ofereça a cada um diante da presença do outro, a escuta, a troca de experiencias, o lidar com as diferenças e semelhanças, o repensar o sentido de comunidade, de união, de coletivo e de diversidade de mundos.

A vivência é um convite para empreender um caminho que possibilite o crescimento e desenvolvimento pessoal para pessoas que estejam enfrentando dificuldades neste aqui-e-agora de suas vidas.

Técnicas desenvolvidas pelo Psicodrama auxiliam neste trabalho e vão nos permitir:

• Respeitar e aceitar as diferenças

• Escutar o outro

• Perceber e valorizar as qualidades

• Investir e demonstrar interesse na vida de si mesmo e do outro

• Participar e dividir os sucessos e as dificuldades da vida

Quando começamos a respeitar as diferenças de cada um, surge a possibilidade das transformações no complexo sistema em que vivemos. Porém, novas atitudes possibilitam a quebra das conservas culturais e a busca pela espontaneidade e criatividade.

 

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